”Eu perdi o amor da minha vida.
Era irrelevante tudo que eu fazia por você, desde quando eu batia na tua porta depois de uma briga, à quando eu tentava te provocar ciúmes com uma das minhas amigas. Você tentava ser indiferente, mas, no fundo eu sabia que eu era tudo que você precisava. Sei que eu era teu último pensamento antes de ir pra cama, e o primeiro ao acordar. Eu era uma mistura de errado com errado. E você era um pouco de certo e errado. Eu sempre errei mais do que acertei contigo, e nunca foi por querer. Sempre deixei uma dúvida no ar sobre o que eu sentia de fato, e mesmo assim tua desconfiança me irritava. Eu nunca fui muito bom em demonstrar essas merdas que eu sinto. Às vezes era porque eu sentia pouco demais, na verdade era quase sempre. E por você, eu senti demais. Isso me deixava perdido, mas você me achava. Eu sempre te ligava às cinco da tarde só pra perguntar quais eram os planos para o dia de amanhã, nada demais. Não era novidade sentir saudades e procurar um jeito de dizer que queria por perto. Eu te ligava todos os dias, lá pras cinco da tarde, mesmo que tenhamos passado o dia juntos. E aí, uma hora no telefone, e a noite estava ganha. Nada melhor do que ter alguém assim: pra dividir felicidade, ligar se for doença, saudade, ou tanto faz. Pra pedir pizza ou telefone do táxi. Tinha sextas em que eu estava em casa sozinho, e resolvia ligar. Dizer que tinha filme legal no canal de sempre, e que se caso ela viesse, podíamos fazer algum jantar de última hora. E ela sempre vinha. Tinha sempre um abraço demorado, logo depois de trancar a porta. E eu me esparramava no sofá, e batia a mão pra ela sentar do lado enquanto a gente brigava pelo controle da TV, ou por quem levantaria pra fazer a pipoca. Quando fazia frio, dividíamos o cobertor e o espaço no sofá. De vez em quando, nos olhávamos profundamente. Quando o clima ficava constrangedor, eu me levantava pra pegar mais refrigerante, ou ela decidia sozinha que ia fazer o jantar. Depois as brigas começaram ser mais constantes. E sempre me aparecia uma sacola de presentes devolvidos junto com uma lista de palavrões sem censura. “Até meu orgulho ela derrubou.” E eu sempre ia trás de ti. E nossas brigas acabavam na cama. Depois vieram às conversas cada vez mais resumidas, os beijos cada vez mais gelados, e os telefones menos constantes. A gente se perdeu sem saber. Mas eu ainda te tinha. Mas agora eu preciso de alguém que precise ficar. E não é mais o teu caso. Eu perdi um amor, e ganhei uma vida.
Matheus Oliveira (via umfoda-seprasociedade)
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